Fichamento do texto Teoria do Nao Objeto

Nesse texto Ferreira Gullar cria um termo para designar uma forma específica de arte que ele estava observando surgir em sua época, denominando-a de não-objeto.

A princípio, ele afirma que o não-objeto não é o oposto de objeto, e sim algo novo. Para começar a explicar sua ideia, ele faz um retrospecto da história da arte, lembrando de quando a arte figurativa começou a perder espaço com o advento do Impressionismo, que priorizava a impressão sobre a objetivação. Assim, o objeto representado no quadro perdia importância, e o quadro, como objeto, ganhava importância. Ele afirma que quando a pintura abandona a representação, a moldura perde o sentido, já que ela tinha o intuito de separar a obra do mundo. A arte abstrata, por sua vez, buscava realizar a obra no espaço real. O mesmo valeria para a base, ou pedestal, em uma escultura. Esse gesto (tirar a moldura ou a base), é um esforço do artista para libertar-se do quadro convencional da cultura e ter sua obra livre de qualquer significação que não seja a do seu próprio aparecimento.

Para ajudar na compreensão do não-objeto, Ferreira Gullar começa a escrever em formato de diálogo, reforçando termos e definições do que seria um objeto, e o que seria um não-objeto. Ele afirma que o objeto é uma coisa material como se dá a nós, ligada a designações e usos cotidianos. Já o não-objeto, por sua vez, não se esgota nas referências de uso e sentido, pois não se insere na condição de útil e da designação verbal. Assim, o não-objeto é opaco, no sentido que é transparente à percepção.

Outra reflexão trazida por Ferreira Gullar é a de que o objeto é composto pela coisa em si, mais o seu nome, já que só pelas conotações que o seu nome e o seu uso estabelecem entre objeto e o mundo é que ele é assimilado. Por outro lado, o não-objeto é apenas uma coisa, sem nome, a relação que mantém com o sujeito dispensa o intermediário. Assim sendo, o não-objeto não é uma representação, e sim uma apresentação.

Por fim, o autor traz a característica dos não-objetos de implicarem do espectador movimento, com o espectador sendo solicitado a usar o não-objeto. A mera contemplação não basta, e sim a ação. A contemplação conduz à ação, que conduz a uma nova contemplação. O não-objeto apresenta-se como inconcluso, e nele mesmo oferece o meio para ser concluído. Sendo assim, o não-objeto só se faz real quando interage com o espectador.

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