Fichamento Hertzberger parte "A - Domínio Público"
O domínio público é definido como área acessível a todos a qualquer momento, com responsabilidade de manutenção assumida coletivamente. O privado caracteriza-se pelo acesso restrito a determinadas pessoas ou grupos, com responsabilidade individual de conservação.
Hertzberger argumenta que a oposição radical entre público e privado é sintoma da desintegração das relações humanas básicas. A determinação de um espaço como público ou privado não é absoluta, mas relativa e temporária, dependendo do contexto e do uso.
O autor propõe que existem gradações entre esses extremos: espaços semipúblicos e semiprivados que funcionam como zonas de transição. Através de elementos como forma, material, luz e cor, o arquiteto pode induzir a percepção de um espaço como mais público ou privado.
A capacidade de apropriação do espaço pelos usuários é fundamental: quando residentes usam o espaço público como se fosse privado, fortalecem sua demarcação territorial. A planta arquitetônica determina os graus de acesso e influencia o comportamento dos usuários.
A rua, historicamente, foi o espaço de ações coletivas, revoluções e celebrações. Hertzberger faz um apelo para que se dê maior ênfase ao tratamento do domínio público, permitindo que este estimule e reflita a interação social.
O autor defende que o arquiteto deve projetar considerando a vida cotidiana de todas as pessoas, não apenas questões estéticas ou monumentais. A arquitetura deve influenciar positivamente as situações das pessoas que a utilizam.
Até o século XIX, havia poucos edifícios públicos de acesso integral. Mesmo construções como igrejas sofriam restrições impostas por seus responsáveis. Os verdadeiros espaços públicos estavam predominantemente ao ar livre.
A arquitetura deve criar espaços polivalentes, passíveis de alterações para acomodar o inesperado sem se descaracterizar. A forma nunca é definitiva, podendo ser constantemente expandida e adaptada às necessidades dos usuários.
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